Lobita do meu coração

A Constança pediu para ir para os Escuteiros. Assim do nada, sem histórico na família, nem nenhuma amizade especial que a tivesse puxado. Foi uma espécie de chamamento que nos surpreendeu a todos mas que aos poucos, à medida que nos vamos todos envolvendo - porque quando se tem 1 pessoa da família nos escuteiros, toda a família é "arrastada" - tudo vai ganhando sentido e começa a encaixar na forma de ser e de estar da Constança, ou melhor, a Lebre no seu bando dos Lobitos. 
Confesso que desconhecia por completo toda a mística, simbologia e rituais dos escuteiros por isso quando na reunião de "conselho de pais" começaram a falar dos preparativos para a Promessa - esse grande momento - demorei a processar todas as instruções... foi um fim-de-semana totalmente dedicado aos escuteiros, com encontro para ensaios durante o dia de sábado, velada de armas no final do dia, jantar e dormida para os pata-tenra para que no dia seguinte se sentissem preparados e em pleno para receber o seu lenço, símbolo de pertença oficial ao bando, aos lobitos, aos escuteiros. 
Foi "Da melhor vontade" que a Constança assumiu este compromisso, de coração cheio e em plena consciência de todos os passos que foram preparados ao pormenor. Escolheu para padrinho o amigo Sardinha, de forma completamente independente e inesperada (até para o próprio!), decorou as leis e tudo o que havia para saber na ponta da língua sozinha pelo que passou o teste oficial, com a Àquêlá - a chefe da alcateia - com mérito e distinção! Captou o espírito das cerimónias de uma forma tão entusiasmada que me deixou de coração apertado - de orgulho, de surpresa, de emoção, de alegria! Até porque pensando nas Máximas, encaixam mesmo na perfeição:
O Lobito pensa primeiro no seu semelhante.
O Lobito sabe ver e ouvir.
O Lobito é asseado.
O Lobito é verdadeiro.
O Lobito é alegre.

O convite que preparei para a família

A insígnia que recebeu na velada de armas e que cosi para a Promessa :)

A Lebre com o seu padrinho Sardinha - que ofereceu não só o lenço, como a anilha e a insígnia!

O almoço que antecedeu a missa das Promessas, com a família Peres reunida!

Os futebolistas da família que estiveram ausentes na missa mas muito presentes no espírito ;)

A segurança e entusiasmo na resposta ao "chamamento"

Os pais e a mana na entrega... (comigo já de lágrimas...)

A receber o lenço!

Os Lobitos!

Com as madrinhas depois de ter sobrevivido à "praxe" do corredor dos lenços

Com os pais babados!

Com o padrinho!

Com os avós



Para os curiosos aqui fica tudo explicado
https://escutismo.pt/seccaoi/lobito/lei-e-promessa/lei-e-promessa:1480

Casamento especial

Tenho tantos acontecimentos importantes que quero deixar aqui registados mas não estou a conseguir gerir esta partilha. Não quero escrever breves linhas e depositar fotografias, antes gravar aqui momentos que me/nos marcaram e que ficam para a vida. Todos diferentes e todos tão importantes! Todos muito (demasiado) próximos uns dos outros, sem tempo nem espaço para reflexões, antes aproveitar cada um da melhor forma. Isso sinto que tenho feito. Zero preocupações nas fotografias "formais" para deixar que os meus olhos, o meu cérebro, acima de tudo o meu coração tenha a capacidade de absorver tudo. 
Seguindo a ordem cronológica dos acontecimentos, fica aqui o registo do casamento do Fábio Oliveira que me marcou de uma forma tão intensa que até me surpreendeu. Vê-lo casar despertou em mim uma nostalgia que desconhecia... tenho poucas memórias de infância sem incluir os meus vizinhos Oliveira e a minha querida "vizinha". Pensar que cresci com o Sérgio, o pai do Fábio, que vi o namoro com a Célia começar, que fui ao casamento deles - os noivos mais jovens que conheci, que acompanhei todas as gravidezes da Célia, até quando eram ainda "segredo" mas que a vizinha confidenciava pela alegria que não escondia pela chegada de mais netos (mesmo quando começou a ser acima da média). Olhar para o Fábio, o 1.º neto Oliveira, e vê-lo já um homem feito, com uma igreja a abarrotar de pessoas, rodeado pela família gigante, sentir a alegria, a presença espiritual da minha querida vizinha... foi um baque de emoções. Chorei com o cântico de entrada, entoado pelos noivos, emocionei-me com os testemunhos, com as leituras, com as músicas escolhidas, com todos os detalhes da cerimónia que achei a mais profunda de todas as que já assisti. 
Estar ali, ao lado dos meus pais e do meu irmão, fez-me sentir especial, por fazer parte da história daquela família. Senti-me ao mesmo tempo pequenina de novo, com uma avalanche de recordações das brincadeiras de rua, dos lanches de papas de pão com leite e das sandes com manteiga e açúcar na casa da vizinha, dos jogos da macaca na rua até altas horas, dos telefonemas para a família e do colégio para o n.º da vizinha (que ainda sei de cor), da festa de casamento do Sérgio e da Célia no Cangalho e das fotografias nos jardins de Mafra, do nascimento do Fábio e das suas visitas frequentes lá a casa, da sua paixão fomentada pelo mano ao futebol e ao Sporting, dos desabafos da adolescência e das suas "dores de crescimento" partilhadas por ele ou pela avó que o teve sempre num lugar especial, como só o 1.º neto consegue alcançar. Foi uma torrente de emoções, de memórias, de alegrias mas também de saudades... do tempo que já não volta, da presença da vizinha que foi uma referência na minha vida, do tempo que está a passar pelos meus pais e por mim... Fez-me sentir, pela 1.ª vez, de "outro tempo" - velha num sentido que desconhecia. O ser velha não com medo da idade e dos anos que já passaram, mas velha por perceber que a vida não pára, que me fazem falta pessoas que já partiram, que os miúdos de repente são pessoas crescidas, com planos e projectos de vida. Foi uma espécie de choque de realidade, perceber que os meus pais também estão a envelhecer, assim como tantas pessoas que revi ali. Um baque no meu peito por reconhecer que a vida é mesmo uma roda gigante que não pára e que vai deixando para trás tantas coisas inexplicáveis e sem tradução possível como a saudade. Foram 3 horas intensas que deixaram marcas mais profundas do que podia imaginar. Obrigada Fábio pelo convite e muitos parabéns pelo casamento! Nasceste numa família muito especial e é bom ver que segues o caminho que Deus te traçou. Que sejam muito felizes!!!



A foto de família mais especial de sempre com o neto mais velho ao lado do mais novo, ainda na barriga da mãe. Orgulho gigante desta família! 

Home is where my heart is

Os dias passam, uns a seguir aos outros, todos muito longos e cheios de coisas. Estive de mini-férias no feriado de abril e ainda nem consegui tempo para o balanço desses dias tão produtivos. Deu para mudanças em casa, daquelas que dão mesmo muito trabalho, com troca de quartos e roupas, montagem de muitos móveis e transporte de todos os brinquedos escada acima. As miúdas estão oficialmente instaladas no andar de cima, com todo um piso só para elas. Quarto de dormir, de vestir, de brincar, de estudar, para receber amigas e aproveitarem o "caos organizado" para se divertirem. Lá em cima, sem provocar caos na sala de estar, acima de tudo, longe da minha vista. Assim stresso menos e elas sentem que têm o espaço delas, do qual são responsáveis. Depois de as deitar, não resisto a uma arrumação rápida porque não aguento ver coisas espalhadas - mesmo quando elas defendem que estão ali no chão por algum motivo muito válido. A verdade é que deu muito trabalho, subir e descer escadas sem fim para levar cama nova para a Carlota, roupeiros e armários de arrumação para receber tudo o que tinha meio espalhado pelos 2 quartos cá de baixo, sala incluída. Isto tudo só depois de trazermos a nossa cama, cómoda e roupas para baixo, para o nosso quarto "original" que, reconheço agora, nunca o devia ter deixado de o ser. Mas tudo na vida tem o seu tempo e precisei desta experiência, destas mudanças e trocas para perceber que esta solução, a de agora, é a que melhor nos serve, a que mais resulta e a que mais espaço, conforto e tranquilidade oferece a todos. Deu muito trabalho, precisei de muita ajuda - a preciosa mana mais velha com os seus dotes maravilhosos de arrumação; a mãe que passou a ferro uma verdadeira montanha de roupa; o cunhado Nuno que ajudou nas mudanças das coisas mais pesadas; a mana Andreia que ficou com as meninas para nos deixar tempo e espaço para as arrumações e limpezas finais; e o super marido, super pai que, mesmo refilando, acaba por ceder e prestar-se a estas trocas e baldrocas para ver as suas meninas felizes. Obrigada a todos! A nossa casa está (ainda mais) feliz e pronta para receber família e amigos sempre de coração aberto, num espaço mais arrumado e acolhedor. Fazemos visitas guiadas, é só combinar!



 




Ainda sobre o Dia da Mãe

Os presentes mais valiosos são sem dúvida os feitos pelas mãos dos filhos. Este ano tive muita sorte, com verdadeiras obras artísticas da Carlota e um "Amor Perfeito" da Constança, com um duplo sentido simplesmente maravilhoso. 
Obrigada queridas filhas e muitos parabéns à Ed. Ana e à Prof. Céu pelo empenho, dedicação e ternura que colocaram nestes presentes. 


Dia da Mãe são todos os dias

Só depois de se ser mãe se consegue perceber muita coisa. É sem dúvida o  maior desafio de uma vida, cheio de altos e baixos, feito de superações e em permanente evolução. Um amor que vai crescendo, que se vai moldando e encaixando ao sabor da vida. 
É uma verdadeira profissão a tempo inteiro e uma profissão de alto risco, que obriga a trabalho duro, a muitas horas extraordinárias, a uma avaliação (interna e externa) constante, a múltiplas acções de formação, com níveis de desgaste muito acelerados e sem qualquer hipótese de reforma. Com a agravante de ser uma profissão não remunerada! Mas apenas em dinheiro porque as formas de retorno são mais que muitas e é por elas que todas as mães do mundo concordam num único ponto: ser mãe é a melhor coisa do mundo!!! 
Todas as mães são diferentes, encaram e vivem a maternidade à sua maneira, seja pela educação que tiveram, seja pelos ideais em que acreditam, seja pela sua maneira de ser e de estar na vida. Cada mãe é uma mãe, única à sua maneira, com as suas manias, com os seus defeitos e virtudes. Todas em construção, em permanente esforço para corresponderem às expectativas (muitas vezes à pressão) do que se espera de "uma boa mãe". 
O que posso dizer, pela minha experiência de 8 anos, é que este conceito de ser "boa mãe" é muito relativo. Tem dias que parece muito fácil, outros que nem por isso, outros ainda um verdadeiro teste! Porque não são só maravilhas, nem só alegrias, nem tão pouco só coisas boas. 
É um trabalho super mega exigente e que ainda para mais varia de acordo com a personalidade de cada filho. Ser mãe da Constança é um desafio totalmente diferente do de ser mãe da Carlota! Uma situação com uma obriga a uma atitude que tem de ser diferente se o mesmo acontecer com a outra. E esta elasticidade, esta capacidade de adaptação constante, a sensibilidade que isto requer é um exercício que me testa todos os dias. Se também há coisa que aprendi é que nenhum dia é igual ao outro depois de se ser mãe. Também esta capacidade de lidar com o imprevisto, dentro de uma rotina que se quer estável, é um verdadeiro teste às capacidades humanas! 
Mas em suma, do balanço que faço da minha ainda curta experiência é que ser mãe significa, desde o momento em que se descobre a gravidez, colocar os filhos sempre em 1.º. Se todas  as minhas decisões tiverem em conta o que é melhor para elas, não há como errar. Foi esse o exemplo que recebi e é esse o exemplo que espero dar às minhas filhas. Dar é receber e o que tenho de melhor para lhes dar é a família em que nasceram. Que sejam sempre felizes minhas queridas filhas!!!

A Carlota empenhou-se à séria nos trabalhos para o Dia da Mãe! Para além dos 2 que fez na escola, quis reforçar com mais uns quantos, só para mostrar que já sabe escrever MÃE sozinha! 

O da Constança foi afectado pela greve de 6.ª feira! 
Diz ela que a espera vai valer a pena e eu acredito que sim ;)


Estava eu a chamar as miúdas para uma foto especial quando o Simão se levanta e diz: "mas também posso tirar? Sou como um filho não é?" - vindo de quem veio, na fase em que fotos só se forem selfies ou a marcar golos, deixou-me à beira da lágrima! Lá está a teoria, quando se dá de coração, recebe-se na mesma medida.


1.ª tentativa de fotografia de família...


À 2.ª foi de vez!

Este ano foto incompleta... mas completa no coração!

Lanche com a afilhada mais nova e com a comadre que é praticamente mana de coração.


E para terminar em beleza... a super mãe a dar uma ajuda no monte Evereste de roupa que este bom tempo me permitiu juntar. Porque ser mãe é muito isto, é estar quando é preciso e é fazer o que é preciso. O exemplo vivo da capacidade de colocar as necessidades e interesses dos filhos sempre em 1.º. Obrigada querida mãe pela inspiração que és na minha vida! 


E obrigada pelo avanço no monte de roupa, que parece que não mas deixou-me com este tempinho para estar aqui a escrever em vez de estar agarrada ao ferro ;)

Parabéns querida amiga!

Tudo na vida acontece por uma razão. As pessoas que cruzam o nosso caminho e que ficam nas nossas vidas também. Fazem parte de um "grande plano" que tantas vezes nos transcende mas que, tarde ou cedo, se encaixa na perfeição. A Ana é uma dessas pessoas. Somos muito diferentes em tantos aspectos mas almas gémeas em tantos outros, sobretudo em pontos profundos das nossas vidas, com tantas vivências marcantes em comum. Para o bem e para o mal sempre nos mantivemos juntas. No que é essencial estamos sempre de acordo e lutamos juntas por uma família sólida e, acima de tudo, feliz. A vida junto-nos, não por mero acaso, porque juntas somos mais fortes e juntas temos feito uma bela equipa! Que os 40 te tragam não só a ternura mas o começo de uma nova fase, se possível, ainda mais feliz! Muitos parabéns minha querida cunhada, acima de tudo, amiga!


A Festa da Constança

A culpa disto é minha, eu sei. A mania de fazer festas em casa com a família toda, os amigos mais próximos, mas também uma oportunidade para estar com os que vemos menos, mais os amigos da escola que começam a ser importantes nas vivências da Constança. Todos importantes, de uma maneira ou de outra. Se só a família enche a casa, juntar todos os outros - não menos importantes - resulta sempre em confusão, mas uma confusão das boas, com barulho, correria, jogos e aventuras, migalhas e copos espalhados também. Casa cheia, coração cheio na mesma medida. Como sempre foi assim, desde o 1.º aniversário - com almoço ou jantar com os avós, tias, tios, primos, madrinhas e respetivas famílias - para a Constança este é o conceito "normal" de festa de aniversário. Faça sol ou chuva, como ontem, o importante é a festa fazer-se na mesma. No terraço ou em casa, o importante são as pessoas. Fico feliz que assim seja, que mesmo aliciada em trocar esta "confusão" por uma ida ao cinema com um grupo de amigas, tenha preferido, sem sombra de hesitação, que fosse em casa. E assim foi, com as condições possíveis mas com a maior das boas vontades. Adoramos casa cheia, receber família e amigos e sentirmos que somos parte de uma confusão gigante que se chama amor, amizade, gratidão, partilha, generosidade e entrega. Este é sem dúvida o melhor presente que lhe podemos dar, ano após ano. Que seja sempre assim!

Obrigada à super avó pelo almoço maravilhoso, que sobra sempre em quantidade suficiente para jantar!
Obrigada ao marido, que mesmo a refilar se dispôs a montar e desmontar mesas, a subir e descer as escadas mil vezes com bancos, a pendurar e a colar decoração cheia de unicórnios nas paredes que tanto trabalho lhe deram pintar...
Obrigada às tias, tios e madrinhas pela ajuda logística, sem vocês teria sido o caos e não confusão ;)
Obrigada à amiga Susana Martins pela assistência com o workshop de jumping clay - a melhor plasticina de sempre, mesmo a versão loja do chinês!
Obrigada à querida amiga Patrícia Pica pelo bolo de aniversário maravilhoso, que conseguiu superar  (mais uma vez) as expectativas!
Obrigada a todos os que fazem parte desta grande confusão a que chamamos família!












Parkinson's In Mind: o testemunho

Ainda sobre a participação da mana na campanha da Bial, no dia mundial dos doentes de Parkinson, aqui fica o making of com os testemunhos reais. Ouvir o discurso da Andreia, numa voz tão determinada e confiante ainda me deixou mais orgulhosa. Saber que se sente diferente, em momentos e em situações que podem ser tão banais... deixa-me de coração apertado. Até porque a grande maioria das vezes ninguém repara, ninguém dá por isso mas na cabeça dela não se desliga o alarme da "diferença". Tantas vezes está apenas na cabeça - e no coração - de quem a sente e vive mas fora da atenção dos outros que por distração, por desinteresse ou simplesmente porque se vive cada vez mais focado em si mesmo e não nos outros lhes passa completamente ao lado. Participar nesta campanha, dar voz à doença e sensibilizar para a diferença foi sem dúvida uma grande vitória nesta luta inglória mas possível de vencer. Força maninha - Um por todos e Todos por um!





Dia Mundial da Doença de Parkinson

O dia chegou. Aquele que revela publicamente uma doença que foi segredo durante anos mas que quebra tabus e barreiras agora, para mostrar que "não existe um ritmo de vida perfeito". 
Acredito que tudo na vida acontece por uma razão e acontece quando tem de acontecer. Esta é só mais uma prova viva disso mesmo.
Hoje assinala-se um dia histórico nas nossas vidas, o dia em que mostramos ao mundo que somos todos diferentes e que, graças a essa diferença, podemos fazer a diferença na vida dos outros. A palavra diferença repetida serve para reforçar que o ser diferente não tem de ser só mau. Cabe a cada um a decisão e o poder de fazer dessa diferença um pilar de força e de superação. A campanha da Bial encoraja a tolerância e a saber mais sobre a doença, que chega sem ser anunciada e fica para a vida, sem cura mas possível de tratar e de acompanhar para garantir o maior grau de independência possível a cada doente. A minha irmã tem a sorte de ter uma rede de família e amigos que a apoiam desde o 1.º momento, mesmo antes quando a sentiam "diferente" sem saber o porquê. O diagnóstico está feito, a parte da aceitação também. Chegámos agora à fase, decisiva, do aprender a viver um dia de cada vez, com um ritmo que não é perfeito mas é superável, graças ao respeito, à tolerância e ao esclarecimento.

Parabéns querida mana pela coragem, pela determinação e entrega ao abraçares este desafio, que te ajudou a aceitar mais um que Deus colocou nas nossas vidas. E como todos os outros que recebemos, vamos enfrentar mais este que é um desafio para a vida toda mas que não tem de definir toda a tua vida. Estamos juntos, neste como em todos os outros das nossas vidas. Um por todos e Todos por Um - hoje todos por ti, mana Andreia - uma inspiração nas nossas vidas!




A minha irmã tem Parkison

Demorei a escrever sobre este tema, tanto pelo que implica em termos de exposição mas sobretudo por respeito à decisão da minha irmã, que preferiu ter tempo e espaço para digerir e aceitar esta dura herança - a doença de Parkison. 
Ao meu pai foi diagnosticado no ano em que se reformou, mirrando todos os projectos de uma vida inteira de trabalho na esperança de depois gozar, em saúde, os merecidos anos de descanso laboral. Mas se com o meu pai o diagnóstico foi recebido com surpresa, por ser considerado "novo" para a doença, o que dizer do caso raro da minha irmã, com apenas 35 anos... 
Foram precisos 3 longos anos para um doloroso processo de aceitação, que começou por ser partilhado apenas com o marido e com os irmãos. Até os pais ficaram de fora durante um longo período, com o argumento, difícil de contestar, de os poupar, de os proteger da dor, sobretudo pelo receio do impacto que podia causar no pai, pela pesada herança que, sem poder nenhum de escolha, partilha agora com a filha. 
Foi um segredo guardado, por decisão da Andreia, que todos respeitámos apesar de sempre a termos incentivado a não fazer da doença um assunto tabu. O receio do "sentimento de pena" falou mais alto durante muito tempo, assim como a vergonha de ser diferente e por isso tentar agir como se nada tivesse mudado. O que não é verdade nem fácil de sustentar.
A verdade é que a vida da Andreia mudou e com a dela a das pessoas à sua volta. A vida da minha irmã é hoje diferente, com um grau de exigência e superação que estão para lá do imaginável e por isso mesmo, mais do que nunca, precisa de todo o apoio da família - a de casa e da alargada, dos amigos, dos colegas, de todos os que a rodeiam e que possam, seja de que forma for, ajudar neste novo dia-a-dia. 
Sem dúvida um murro no estômago, uma notícia dura de receber mas que tem de ser encarada como aquilo que é: uma doença real que veio para ficar, que sabemos ser degenerativa e incapacitante, sem cura mas, a boa notícia, não mata! Felizmente tem tratamento, com melhorias graças aos ajustes da medicação e da assistência física-motora que cada caso exige. Cada doente é único e como tal os sintomas, as limitações, o tratamento e a forma como lida com a doença muda de pessoa para pessoa. 
Mas o mais importante, como na maioria das doenças, é o diagnóstico rápido e o tratamento personalizado. E é por isso que a Andreia decidiu agora tornar este assunto público, porque percebeu que se falar sobre a doença pode não só libertar-se de um peso imenso que acumulou durante anos, como ajudar outras pessoas que, tal como ela, vivem com medo de enfrentar uma nova realidade. 
Nunca o ditado "um dia de cada vez" fez tanto sentido nas nossas vidas. Com igual peso, mas com o dobro da força, veio também para ficar o lema "Um por todos e todos por um". 
A minha irmã tem Parkinson e eu tenho um orgulho imenso nela!

Partilho em 1.ª mão o seu testemunho, que será publicado no dia Mundial da Doença de Parkinson,  assinalado no dia 11 de Abril, no âmbito das várias iniciativas promovidas pela Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson, da qual o meu pai e a minha irmã são, orgulhosamente, associados.

***
Foi aos 35 anos que descobri a razão de ser como sou… foi na primeira consulta de neurologia que de forma peremptória e sem rodeios.
Considerada demasiado nova e do sexo com menos incidência, saía da norma, mas, havia herdado a doença do pai, aquela doença que ganhou o nome de quem a descobriu, Parkinson.
Desde que nasci sempre senti que era diferente dos demais. Umas vezes senti-me pior outras melhor, mas, a maioria das vezes nem melhor nem pior, apenas diferente.
Nasci numa família humilde cheia de valores que nunca me encheu de presentes de desembrulhar, mas daqueles que confortam a alma, que nos fazem sentir especiais, nunca me faltou amor.
Família albicastrense, numerosa, unida e muito peculiar. Fui e sou a filha do meio de uns pais maravilhosos que vivem para os filhos e me ofereceram os pilares da minha vida, os meus irmãos. Duas manas, ambas com 2 anos de diferença de mim, uma mais velha e outra mais nova e um mano mais novo 8 anos.
A minha outra força maior foi oferecida por Deus, o meu marido.
Mas destaco, por razões que todos compreendem, aquela que me faz acordar e não desanimar, aquela força que nos faz sentir um amor incondicional, impossível de medir, a força maternal, meus filhos, Simão e Miguel.
Tinha o Simão 8 anos e o Miguel acabava de fazer 2 quando chegou a notícia. Uma amiga chamou-me à atenção pelo facto de eu ter um andar descoordenado. Dei importância ao comentário, também sentia que era muito difícil comer de faca e garfo. Mas o que me fez procurar ajuda foi o primeiro episódio de dor, algo parecido com a conhecida dor ciática, na lombar. Ia com o Miguel ao colo e de repente fiquei com o andar muito preso, colocar um pé depois do outro era muito doloroso. Procurei urgência hospitalar e depois de ter sido injetada com analgésicos e a rigidez permanecer procurei o meu ginecologista. Sim, era o único médico que me acompanhava. Eu era saudável e por isso, era o único que me vigiava, por ser também obstetra, e ter ajudado os meus filhos a nascer.  
Lembro-me perfeitamente de lhe relatar os alertas, de ele me pedir para lhe apertar a mão, de eu fazer dois ou três movimentos e de ele me encaminhar para um neurologista. Assim fiz.
Acreditem que embora o pai tivesse esta doença, foi uma hipótese que nunca coloquei, para mim era certo que tinha uma doença neurológica, mas Parkinson, nunca foi o nome do meu diagnóstico interno.
A primeira consulta desta especialidade começou com uma mão cheia de perguntas sobre a história familiar às quais se seguiram testes, a doutora sugeriu que eu fizesse alguns movimentos, suficientes para me declarar a doença de Parkinson.
Saí da consulta completamente perplexa, incrédula, abananada e a pensar que a doutora se havia precipitado, ainda para mais por ter passado uma declaração a encaminhar-me para o serviço público, na minha cabeça só queria livrar-se de um problema.
Através de uns amigos, conheci a Doutora Rita Simões que numa consulta similar à primeira confirmou o diagnóstico e confortou-me com a promessa de um apoio constante, “vamos envelhecer juntas”. E logo me aconselhou a procurar a Associação Portuguesa de Doentes Parkinson (APDPK) à qual me associei como se estivesse a cumprir uma receita médica, mas que não tinha coragem de a conhecer.
Embora o diagnóstico fosse fácil de detetar, através de exercícios de movimento, seguiram-se imensos exames médicos que pretendiam excluir outros males associados. Apesar de todos relacionados à forma como se manifesta em mim a doença de Parkinson, seguiram-se dores mutantes, que passam de um sitio para o outro com a mesma naturalidade como aparecem. Da lombar passou para a dorsal, depois para os dedos dos pés, mas foi uma tendinite no pé esquerdo que me fez parar. Pela primeira vez precisei de baixa médica, as dores impediram-me de andar.
Sou professora do primeiro ciclo e adoro desempenhar a minha profissão, por isso parar foi uma obrigação que me custou muito aceitar, procurei medicinas alterativas para acelerar a melhoria, mas nada resultou.
Em modo desespero lembrei-me do primeiro conselho da doutora e procurei a APDPK, atendeu uma voz doce que me disse que iriam dar inicio aulas de marcha que de certo me iriam ajudar.
Fui, poucas horas depois, contatada pelo meu anjinho, a fisioterapeuta Josefa, que me identifiquei desde o primeiro e-mail, embora não tivesse a doença, tinha a minha idade. Encheu-me de esperança.
Combinámos a primeira consulta, adorei. Entrar na associação e conhecer pessoas como eu fez a diferença. Adorei. Fez-me muito melhor do que todas as alterativas falhadas que havia procurado.
Combinámos aulas duas vezes por semana, mas acreditem que por mim aconteciam todos os diasJ
Obrigada Ju, Idelta, Deisy, Camilo, João, João Belo, Ana Ferraz e Ana Botas … tenho a certeza que serão amigos para a vida toda!

Testemunho
Andreia Peres